20.7.14

PSD/PP Estrela – O homem dos 7 instrumentos

A campanha não correu de forma fácil para Luís Newton.
Desde logo por variados factores internos a nível partidário, como o facto de advir de um Governo nada estimado pela população, ao que se juntou a união a um enfraquecido Fernando Seara e a curiosidade de vir suceder a João Neves Ferro (Lapa) e a Magalhães Pereira (Prazeres) com, talvez, alguma falta de experiência em virtude de não ter pertencido a nenhum desses Executivos nos 4 anos anteriores.




A aposta numa campanha de imagem inicialmente muito fraca (a qual foi radicalmente alterada na ponta final) e os diversos e ferozes ataques pessoais que sofreu em várias plataformas e publicações também não lhe foram benéficos – à semelhança da constituição da sua lista conter demasiados elementos da antiga Lapa, numa altura que se pretendia de união de freguesias – e foi por muito pouco (36 votos) que logrou obter a vitória num terreno tradicionalmente da sua cor política.

Notou-se sempre muita inquietação ao longo dos meses que antecederam a sua eleição e nos quais ficou desde logo vincada uma das suas principais características: a elevada capacidade retórica de, falando muito, raramente dar qualquer resposta concreta.




O início do seu mandato não foi diferente.
A insegurança demonstrada nos vários dossiers, que nos pareceu não virem devidamente estudados... e a desconfiança dos cidadãos relativamente à sua coligação – sobretudo os dos Prazeres, queimados que já estavam depois de 8 anos de muita inoperância e incompetência – não lhe trouxe uma recepção particularmente animada.

Há, aliás, mesmo muitas semelhanças entre a nossa análise à actuação da sua bancada na Assembleia de Freguesia e o texto que ontem publicámos sobre o PS (nomeadamente na constante "troca de galhardetes"e na fuga às questões fulcrais e de real interesse para a população, que tão cansativas já se tornaram e que teimam em afastar os fregueses dos círculos de participação, como se observou no Pavilhão da Lapa há poucas semanas), com duas diferenças óbvias:
- Por um lado, uns governam e os outros deixam-se governar;
- Por outro, a união dos vitoriosos é óbvia, sendo Luís Newton um incontestável Monarca nas suas hostes.

Aliás, de tal forma assim é que nenhum dos seus colegas de coligação manifestou qualquer opinião durante um ano inteiro (a única voz que ouvimos, sempre em claro apoio ao líder, foi a de Nuno Saraiva Ponte, que até já abdicou do seu cargo) e o restante Executivo – para além de não ser visto nas Assembleias de Freguesia desde Dezembro – nem sequer nas Reuniões Públicas do Executivo comparece(!!).


Será, naturalmente, digna de respeito uma pessoa que se apresenta sempre e invariavelmente sozinha, oferecendo de forma corajosa o corpo às (várias) balas... mas, mais do que as sérias dúvidas que se nos levantam sobre essa forma de gestão autárquica, somos profundamente contrários a tal estratégia, sobretudo quando é a mesma assente num “Conselho Consultivo”(?) totalmente desconhecido e ausente de clarificação pública e no qual – estamos fortemente em crer – os efectivamente eleitos numas Eleições Democráticas não constam ou não terão grande capacidade opinativa.

Repare-se na sempre absurda dificuldade em se obter qualquer tipo de informação concreta a vários níveis (desde metodologias a adoptar ou já mesmo adoptadas até aspectos da mais pura simplicidade financeira, passando naturalmente por tudo o que há de mais básico como é exemplo o próprio funcionamento interno da Junta e o papel-de-facto desempenhado por aqueles que a compõem). 
Afinal... como é possível "existir" um Tesoureiro... mas nunca se saber quanto foi gasto numa actividade específica?

Os nossos pensamentos vêm-nos reforçados pela realidade de ser a Estrela a única Junta de Freguesia que ainda não definiu sequer os seus Pelouros nem responsabilizou os membros do seu Executivo (nem internamente nem ao nível da opinião pública), bem como pelo facto de não ter qualquer tipo de plataforma informática onde venha congregada toda a informação burocrática relativa às suas acções e projectos/planos.
Atente-se, aliás, que uma das primeiras medidas práticas foi precisamente a eliminação do seu Manifesto Eleitoral da internet, o que consideramos (e fizemos questão de afirmar em Assembleia de Freguesia) de muito mau gosto e de dúbios contornos.
Curiosamente, ou talvez não, desapareceram também da sua página de campanha as fotografias onde aparecia ladeado por Fernando Seara, numa clara tentativa de apagar essa imagem.
Há, portanto e como tal, muito jogo político subjacente à actuação no nosso actual Presidente. 

Assemelha-se-nos (e estamos convencidos que o tempo nos vai dar razão) que este primeiro ano de mandato foi – sobretudo e de forma bem conseguida – um “ano de sedução” (característica que tem vindo a ser desenvolvida, principalmente no último trimestre, com alguma mestria).
A colocação em prática de uma fórmula de rápida aproximação à comunidade através do esbanjamento dos fundos orçamentais (da parte, ainda para mais, de quem efectuou toda a sua campanha a criticar precisamente esse modelo à oposição), leva-nos a considerar que – muito provavelmente – as medidas realmente gravosas e atentatórias ao património e legado da freguesia ainda estão para vir... e talvez não demorem muito mais.


Como diria Sun Tzu, no seu famoso livro «A Arte da Guerra»:
“O general, ao aplicar tácticas de surpresa, torna-se tão infinito quanto o Céu e a Terra e como o fluxo interminável de um rio.”

Ficamos a aguardar, na expectativa, para vermos até que ponto não nos irá esse rio afogar ou os céus cairem-nos em cima da cabeça.




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