25.9.13

5 perguntas a... Ana Vieira de Castro

Entrou em Agronomia aos 17 anos, onde frequentou três anos, antes de optar pelo casamento, pelos seus 2 filhos e por um trabalho de escritório.
Sempre inquieta e lutadora, fez depois um curso de Jornalismo na Católica e trabalhou nas revistas 'Pais & Filhos' e 'Xis' (no Público), para além de ter colaborado com diversas outras publicações ao longo dos anos.
Com o fim da revista, mudou novamente de rumo, encontrando-se actualmente a fazer a dissertação final em Psicologia da Universidade de Lisboa, trabalhando no entretanto como bolseira na Assembleia da República, ao abrigo de um protocolo.


1. No seu entender, porque se considera a opção mais válida para gerir os destinos da nova freguesia da Estrela?

Fui escolhida pelos meus Camaradas. Considero-me tanto mais válida, quanto puder contar com o meu grupo de trabalho, componentes da lista da Estrela. Sou defensora total do trabalho em equipa e acredito a fundo neste projeto. Não é possível ser-se «a opção mais válida». Todos, mas todos, temos contribuições específicas e valiosas.



2. Qual é, na sua opinião, a principal proposta que a sua candidatura tem a apresentar aos cidadãos da Estrela?

Não temos uma, mas várias. E prendem-se, em substância, com as propostas de fundo da candidatura para a Câmara de Lisboa.

Habitação mais barata, renovando os prédios, apartamentos e casas vazios, com rendas compatíveis com o salário de quem as vai habitar - é um crime construir caro para uma população privilegiada, agravando as desigualdades sociais, promovendo guetos de ricos e bairros de pobres, ou seja, a desigualdade que corta a cidade «ao meio» e finalmente o mundo ao «meio». Meia dúzia de um lado com tudo, e uma maioria do outro, sem nada.

Melhor mobilidade e acessibilidade nos Transportes (que vêm a piorar gradualmente o serviço, tendo em vista a poupança selvagem das instituições publicas que os gerem, que muito provavelmente pretendem privatizar os transportes em Portugal, «provando» que não são rentáveis - a manobra do costume).
Maus transportes prejudicam quem trabalha. Quem tem dinheiro anda de carro. Se o serviço fosse bem gerido, todos beneficiaríamos desse facto, à semelhança do que se passa, por exemplo, nos países do Norte da Europa, em que os Deputados, por exemplo (ver documentário o passado num dos canais da televisão, em que se comparava a vida dos deputados portugueses e a dos deputados dos países escandinavos), andam em transportes públicos - boa gestão de transportes públicos, a bons preços e de belíssima qualidade, ao passo que os nossos apanham-se, do «nada», com Mercedes e BMW topo de gama, motorista e tudo, e é-lhe totalmente indiferente a forma como a «malta» se desloca.
Tudo isto pede uma autarquia que lute por uma boa gestão de transportes, com a participação dos interessados, na defesa dos seus direitos básicos.

Finalmente, solidariedade e pobreza: sobre isto, há um mundo de coisas a fazer, nem vale a pena dizer nada. O desemprego em massa arrumou com o país e com esta cidade, já que é dela que falamos.
Pessoalmente, como sou de formação psicológica, gostaria muito de conseguir implementar, especificamente, novas iniciativas na área da educação e da saúde mental e no acompanhamento aos jovens e adolescentes, que são o futuro deste país, e que representam um potencial de imenso valor.

Daria também especial atenção ao Turismo, que é tratado como uma questão de «terceira». Não se fomenta de uma forma intensa e cuidada aquela que poderia ser a nossa melhor fonte de proventos do país.
Exemplo? Veja a «confusão» dos transportes, as estações de Metro vazias (a desculpa é que está tudo informatizado, o que «dispensa» o serviço dos direto dos funcionários que era suposto assegurarem um minímo de informação e velar pelo bom funcionamento da venda automática dos bilhetes).
Por outro lado, não há nem nunca houve informação massiva e eficaz, em todos os lugares da cidade, de transportes para a costa atlântica, nos longos quilómetros de praia do outro lado da ponte, um valor único e imenso, comparando com todas as cidades da Europa. 



3. O que pensa das Novas Competências das juntas de freguesia e como se propõe a ultrapassar esse acréscimo de responsabilidades, dado o orçamento expectável?

O ultrapassar do acréscimo de responsabilidades implica organização, estudo cuidado e empenho no implementar das «novas responsabilidades». Será necessário pensá-las uma a uma, cuidadosamente.
Quanto à gestão do «orçamento expectável», será preciso transparência total, gestão ultra-cuidadosa e não disseminadora de meios, como é hábito em Portugal, quando se trata de gerir o dinheiro que nos é dado, como aconteceu com os dinheiros da União Europeia, «queimados» à louca. Propunha planeamento, gestão e fiscalização rigorosa e constante sobre os gastos desse «orçamento», esperado com grande entusiasmo.



4. Qual a sua posição relativamente ao Porto de Lisboa no contexto da freguesia da Estrela? Considera que se deveria manter ou defende a sua deslocalização no sentido de se dinamizar uma nova frente ribeirinha?

Confesso que desconheço se já há um consenso sobre o assunto, mas pessoalmente considero que a gestão das contas e a avaliação da oportunidade da deslocalização tem muito que se lhe diga. Assim como tem que se lhe diga «a dinamização da frente ribeirinha».

Sobre este assunto, colocaria algumas questões:

1 - Quem vai ganhar directamente com essa dinamização? Que interesses serve?

2 - Iria criar mais emprego, ou «emprego de terceira», com salários minímos a beneficiarem os grandes empresários do costume?

3 - Não acho incompatível a não deslocalização do Porto de Lisboa com a dinamização da frente ribeirinha, que de facto é um bem enorme para a cidade do ponto de vista turístico, pela situação privilegiada, pela beleza imensa da situação geográfica, pelo acréscimo do interesse turístico que isso representaria. Mas acho que haverá possibilidade de se conciliar o Porto de Lisboa com o aproveitamento da dita «frente ribeirinha».
Necessário, será, certamente, contenção nos gastos (que não seja um projeto megalómano que vá beneficiar sempre os mesmos arquitectos, os mesmo interessados e interesses). Necessário será fazer bem e com gastos contidos, porque dinamizar a frente ribeirinha é útil e torna a cidade mais bonita e apetecível mas há, também, e é preciso não esquecer, necessidades muito mais prementes em inúmeras áreas que pedem investimentos sérios, como a área da saúde e da educação, só para dar dois exemplos.
Gerir o que se vai gastar, e encontrar uma solução que beneficie vários aspetos e não apenas um, é fundamental. Esta, não pode ser uma opinião que se dê de ânimo leve, animada pelo ganhar de votos.
Pense-se, primeiro, nos benefícios possíveis para os que mais necessitam. Se se optar pela dinamização da frente ribeirinha, espero que não se «varram» os sem-abrigo que ali dormem para o rio ou para outro local, discretamente, para não «sujar» as vistas.
Como vê, trata-se de uma opção quem tem de ser cuidadosamente avaliada, colocando à frente de tudo, o interesse dos que nada têm.



5. O BE tem tido sempre um papel muito reduzido ao nível da participação nas 3 freguesias que compõem a actual Estrela (de tal forma que só elegeu um vogal nos Prazeres em 2009 e são raras as acções levadas a cabo nesta zona da cidade).
De que forma julga poder contrariar esta tendência e fazer da sua candidatura um grupo unido, interveniente e participativo ao longo dos próximos 4 anos?

São raras as acções porque o BE é minoritário nestas freguesias. Como calcula, de uma forma geral, muitos dos que vivem na Lapa nunca votariam no Bloco, pelas razões que todos nós conhecemos. Normalmente, quem vota na direita, vai às missas todas mas falha aquele pensamento fundamental que é «colocar-se na pele do outro». Para eles, como dizia o Herman José, «a vida dos pobrezinhos, é um mistério».
Depois, há autarcas que têm tido papeis muito positivos na gestão das suas freguesias, como é o caso do PS em Santos, e é natural que continuem a manter o seu lugar e as suas iniciativas (o Bloco é pelo consenso: sentarmo-nos todos à mesa, em posição democrática, de igualdade, parece-nos fundamental).

Finalmente, diz-me, «são raras as acções levadas a cabo nesta zona da cidade».
Pergunto: como sabe? Se não é votado, como é que o Bloco pode ser conhecido publicamente pelo que faz?
Sabia que o Francisco Louçã, por exemplo, depois de uma luta constante de 12 anos, saiu do Parlamento recusando a reforma, ao contrário do que todos fazem? Poucos sabem, mas aconteceu. E não se reformou aos 40 do Tribunal Constitucional com reforma milionária, como há quem o faça. E continuou sempre no activo politico.
E sim, há pessoas que votam no Bloco e que o fazem anonimamente pelos cidadãos, no caso, da Estrela. 

Quanto à forma como iremos actuar unidos, votem em nós e saberão. Eu diria que não há uma forma mas várias. A vida é dinâmicia e adaptável, e não estática. De uma forma muito geral, o caminho faz-se caminhando, tendo muita contenção nas promessas que fazem ganhar eleições e que depois não se cumprem.