25.8.13

Prazeres, uma freguesia com 54 anos de existência


Criada a 7 de Fevereiro de 1959, a freguesia dos Prazeres é um centro de confluência histórica de elevado valor social, político e cultural.

Com uma área de 1,48 km², acompanhou com particular relevo a partir do século XVIII as grandes evoluções da cidade, sendo palco de vários acontecimentos marcantes da História de Portugal desde a decisão de D. João V de edificar um conjunto arquitectónico imponente no lugar onde se erguia a ermida de Nossa Senhora das Necessidades, o qual se tornaria Residência Real com Dª Maria II.

Pela sua natureza bucólica, aprazível e sedutora, a zona foi sendo engrandecida com palácios e conventos. O seu nome advém de uma das inúmeras quintas que aqui existiam, chamada dos Prazeres, cujo nome perdurou toponimicamente na denominação da freguesia.

Circundada a norte pelas freguesias da Lapa e Santo Condestável, a este por Santos-o-Velho, a oeste por Alcântara e a sul pelo Tejo... os Prazeres são uma zona geograficamente privilegiada de Lisboa e, como tal, merecedora de vozes activas e de um planeamento estratégico de fundo no sentido de uma cada vez maior qualidade de vida para todos nós que a habitamos e sentimos.



Património dos Prazeres


Palácio das Necessidades

Conjunto arquitectónico erigido por D. João V, na sequência de um voto a Nossa Senhora das Necessidades, composto por uma igreja, um palácio e o antigo convento de São Filipe de Néri.
Em frente encontra-se o Chafariz das Necessidades com o seu obelisco de mármore rosa (1747).
Após a proclamação da república, tornou-se sede do Ministério dos Negócios Estrangeiros, função que desempenha actualmente.




Tapada das Necessidades

Jardim anexo ao Palácio, com cerca de 10 hectares, destaca-se pela riqueza e diversidade da sua flora (onde se inclui um jardim de cactos classificado como um dos melhores da Europa).
Contém várias construções de relevo, como o Moínho, a Estufa Circular, a Casa do Regalo, a Casa do Fresco, devidamente acompanhados de lagos e jardins variados.
Aqui funciona nos dias de hoje a Escola Fernanda de Castro.




Cemitério dos Prazeres

Construído em 1833, após a cidade de Lisboa ter sido atingida por um surto de colera morbus, é o maior cemitério da capital.
Para lá do magnífico portão, vários são os monumentos funerários de superior beleza.
Destaca-se igualmente a existência do Talhão dos Artistas, onde se encontram sepultadas várias personalidades do mundo artístico (escritores, pintores, cantores, actores, entre outros).




Igreja de S. Francisco de Paula

Datada de 1719 e classificada como Imóvel de Interesse Público pelo IPPAR desde 1977, foi fundada pelos religiosos mínimos franciscanos.
Concebida por Inácio de Oliveira Bernardes, apresenta duas torres sineiras na fachada (criação de Azzolini), sendo o seu interior decorado em mármore e talhas douradas.
O tecto é preenchido com pinturas de Francisco Pais e aqui poderemos igualmente encontrar algumas pinturas de Vieira Lusitano.
Na capela-mor salienta-se a existência de um mausoléu de mármore (obra de Machado de Castro), onde repousa Dª Maria Vitória, mulher de D. José I, túmulo esse considerado monumento nacional.




Palácio do Conde de Óbidos

Palácio brasonado dos Mascarenhas, contém desde 1919 vários serviços da Cruz Vermelha Portuguesa.
Ligeiramente afectado pelo terramoto, foi alvo de pequenas reparações, datando desse período os azulejos da ala norte, o portal da capela e a pintura do tecto da biblioteca.
Em tempos funcionou também como Embaixada de Espanha e Clube Inglês.




Palacete da Lapa

Originalmente denominado Palacete dos Viscondes e Condes dos Olivais e Penha-Longa, mantém o seu traço desde 1883.
Frequentado desde sempre pela aristocracia internacional, políticos e artistas, apresenta móveis e azulejos de Rafael Bordalo Pinheiro e pinturas do seu irmão Columbano Bordalo Pinheiro.
Ma
nteve-se como residência particular até 1988, altura em que foi vendido e transformado no actual Hotel da Lapa, inaugurado em 1992.






Chafarizes e Fontes

Património de elevado valor e beleza, o chafariz da Praça José Fontana(1775), a Fonte Santa (datada de 1773, é a única com essa denominação na cidade, em função dos poderes medicinais das suas águas), o Chafariz das Terras (1791) e o Chafariz da Praça da Armada (1845) são ainda e sempre presença de destaque por toda a freguesia, a relembrarem os tempos em que o aqueduto servia como única forma de fazer chegar a água à população.



Colectividades e Associações Recreativas

Presença constante ao longo de várias ruas dos Prazeres, num total de 13, são marcadamente motivadoras e dinamizadoras do convívio social, artístico e cultural e representativas da História das nossas ruas e da nossa gente.
Espalhadas por toda a freguesia, algumas centenárias garantem ainda hoje o seu pujante funcionamento na prestação de actividades várias, como as emblemáticas Sociedade Musical Ordem e Progresso (1898) e Grupo Dramático e Escolar "Os Combatentes" (1906).
Outras há que, após décadas de apogeu, decairam como associações, sendo os seus edifícios utilizados a bem da comunidade, de onde se destacam o Clube Recreativo e Musical 6 de Setembro (1903) - onde pontificou a Casa da Juventude dos Prazeres - e o Grupo Dramático Musical e Recreativo (1912) - utilizado durante alguns anos como Centro de Dia.
Pelo seu percurso de sucesso, devemos referir também o Grupo Português de Excursão e Recreio (1929), o Sporting União Fonte Santense (1932), o Grupo Excursionista Instrução e Recreio "2 de Fevereiro" (1936) e o Clube Desportivo da Cova da Moura (1952).



Outros Apontamentos Relevantes

Freguesia acompanhada pelo Tejo, são seu importante e valioso património as Gares Marítimas de Alcântara e da Rocha Conde de Óbidos, bem como a Estação Ferroviária de Alcântara, essenciais ao comércio e à economia de Lisboa.

Outros locais de interesse histórico e turístico são o Jardim 9 de Abril (antigo Jardim das Albertas, é um dos mais afamados miradouros da cidade), os conventos de S. João de Deus e de Nª Srª dos Remédios, a Igreja e o Convento do Sacramento (onde esteve instalada a Academia das Ciências de Portugal), a Capela do Senhor Jesus do Triunfo e o Prédio do Tijolo.


Prazeres: 54 anos de vida, vários séculos de história.